sexta-feira, 13 de maio de 2016

SE AS REGRAS DO JOGO NÃO MUDAM...

Vamos usar alguns exemplos de alguns esportes.

No vôlei, as regras mudaram muito, e é um esporte que não tem muito pudor em mudar uma regra aqui e ali até hoje. Para se marcar um ponto, por exemplo, primeiramente a equipe tinha que ganhar um saque, que na prática significava ter que ganhar dois pontos para fazer um. Hoje, se a equipe ganha o saque, também ganha o ponto junto. Era uma regra injusta, portanto.

No futebol, esporte preferido de nossa nação, no qual em um passado recente tinha o poder de, pelo menos por algumas semanas, unir a nação, a “pátria de chuteiras”, ao longo do tempo também vem tendo sua regra modificada. Um exemplo foi o atraso de bola para o goleiro, que hoje não é mais permitido fazer com os pés, antes era permitido ser feito até mesmo com os pés. Isso diminuiu bastante o artifício que os times tinham de poder prender por muito tempo a bola na defesa, o que realmente deixava o futebol bem mais chato.

E quanto à corrupção? Será que só prender corruptos é suficiente para que a corrupção diminua drasticamente em nosso país?

A resposta é: não.

Por uma questão bem simples – se as regras do jogo não mudarem, nada muda. O vôlei e o futebol mostraram que somente mudando as regras as coisas puderam melhorar de maneira realmente consistente. A questão da corrupção não se resolve apenas prendendo pessoas corruptas, o que é necessário, mas não suficiente. Se a corrupção é sistêmica, o sistema deve ser mudado – porque é o sistema que propicia e por isso estimula tanta corrupção por parte do binômio agentes públicos-agentes privados. A doação de empresas privadas é um exemplo claro de estímulo à corrupção por si só que, unido ao nosso presidencialismo de coalizão, funciona como um hipotético dono de uma hipotética escola infantil que quer que o vigia pedófilo do jardim de infância não cometa atos de pedofilia com as crianças que ele vigia.

Cunha, quando presidia a câmara dos deputados, queria claramente mudar as regras do jogo sim, mas para deixar, de modo legal, tudo como está, isto é, para tornar constitucional de uma vez por todas as famigeradas doações. Isto seria o mesmo que combater um crime descriminalizando-o. Iria apenas mexer nas estatísticas e nada mais.

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