quinta-feira, 14 de julho de 2016

PRAGMATISMO OU IDEALISMO?

O mundo é dos pragmáticos? O mundo é das metas? Dos objetivos?

Sim, é verdade que o mundo não para.

A ciência não para de afirmar e de nos mostrar isto.

O big-bang afirma que o universo está em constante expansão.

Cazuza canta que “o tempo não para”.

O pragmatismo e o movimento incessante em nossas vidas diárias.

"Time is money?" "Just money?"

Não, nosso pragmatismo não pode ser comparado ao de um felino de grande porte que corre atrás de sua presa e não cessa até capturá-la. Definitivamente não.

Metas humanas não podem passar por cima de pessoas, porque sempre que isto acontece a meta desumaniza e o homem fica mesmo semelhante a um felino de grande porte atrás de uma presa.

O mundo não vai parar se eu não conseguir alcançar minha meta, o mundo não vai acabar. Vai continuar, continuar, continuar... Afinal, o tempo não para!

Tenho minhas metas, conquistei algumas. Outras não. Mas não me desumanizei - pelo contrário: minhas metas incluíam pessoas. Não eram inclusões utilitárias, era soma, era grupo aumentado.

Uma vez me disseram: “ideologia não enche barriga”.

Sou professor, de Filosofia, e minha barriga encho com isto.

Sou teólogo católico e minha barriga não encho com isto. Mas outras coisas em mim necessitam encher, sob pena de ter a barriga cheia e a mente vazia. E coração vazio.

Mesmo no tempo das vacas magras continuei idealista – sou o que sou.

Precisamos voltar a ter ideais. A política necessita urgentemente de ideais. Só assim o povo poderá fazer parte dos diversos orçamentos, do plano de país que se projeta.

O pragmatismo apartado de um ideal é como um corpo sem alma. É desumano. É lei pela lei e não para as pessoas. É felino na caça.

E qual o remédio para voltar a ter ideais?

Talvez seja olhar para quem se é realmente, mas em relação aos outros, jamais eliminando os outros. O remédio é pessoal e interpessoal também. Afinal o ser humano é assim e só se realiza assim.

É como o casal pragmatizado pela vida que não para nunca, mas que, em um dado momento, resolve olhar o álbum de fotografias... E veem os primeiros tempos de sua vida juntos, e se lembram do primeiro encontro, do primeiro beijo, da primeira promessa de amor eterno (eterno e feliz).

É esse o ideal: eterno e feliz. Só eterno não basta.

Mas falo de uma felicidade humana, é bom que se diga, que também tem choro, além de sorrisos. Não é de conto de fadas que falo. Nisto sou assaz pragmático.

Falta ouvir a palavra povo no senado e na câmara. Mas ouvir a palavra povo e ver brilho nos olhos de quem fala. Brilho verdadeiro. Precisamos voltar a ter ideais – e não somente ideias. Metas sem ideais é igual corpo sem alma. Igualzinho.

E termino com uma declaração feita pelo saudoso Darcy Ribeiro, que nos diz que vale à pena seguir ideais, e que não abrir mão de segui-los é sempre vitória - mesmo quando não se consegue cumpri-los:

Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.

Darcy Ribeiro


3 comentários:

  1. Amei! O coração pulsa numa fala idealista de vida e esperança, de amor e certeza de que trabalhar e lutar por uma sociedade mais humanizada é possível e necessário, porque nela nos encontramos e nos reconhecemos como pessoas. Sejamos eternos nos nossos atos, eles nos representarão no futuro e deixarão nossa mensagem gravada nas consciências que formamos e nos homens que ajudamos a formar. Boa Sorte! Lutar sempre, sem perder a ternura, jamais!!!

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  2. Excelente !!! Fez me revigorar com ser humano é alimentar a minha esperança.....

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  3. Excelente !!! Fez me revigorar com ser humano é alimentar a minha esperança.....

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