“Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu...”
O bom e velho Chico e suas brilhantes traduções dos sentimentos das pessoas. Das gentes...
Uma rinite alérgica brava me fez levantar da cama assim hoje. Como quem partiu e morreu... Mas sem dramas maiores. Sem tragédias gregas ou de qualquer outra nacionalidade. Apenas meu estado físico atual, que comigo irremediavelmente afeta também meu estado de espírito. Mas, repito, nada desesperador - esse estado não é de sítio nem de calamidade pública, muito menos de coma. É só até o Loratil fazer efeito, caso este antialérgico sirva para rinite, mas arrisquei um comprimidinho assim mesmo. Já o tomei antes e não me causou alergia...
Será que um antialérgico pode causar alergia?
Será que o amor pode gerar desamor? Não. Quem ama não mata – o jargão está corretíssimo.
O poder “endireita” a esquerda como diz Delfim Neto? Também não. Esquerda é esquerda e direita é direita, as gentes sim mudam de lado, e continuam sendo pessoas, isso não muda, os lados também não mudam, continuam sendo lados e pronto. Todavia, se os lados desunem, o ser pessoa reúne. Sou um romântico, eu seu... Para alguns inocente até... Mas não sou estúpido, entendi muito bem o que Delfim quis falar. Tranquilizem-se.
Amor e ódio de mãos dadas.
Esquerda e direita na mesma moeda.
Até que ponto as coisas se ligam ou são incompatíveis? Não sei tudo. Mas algumas são sim próximas e outras inconciliáveis conforme dizem os jargões.
Mas, de volta à rinite, eu sei que ela passa, que o ódio passa, embora dependa de quem o sinta... Mas o amor não, este é entranhado no (a) amante. É por isso que “Amor que acaba não foi amor”, como traduz brilhantemente o amor o também bom e velho Carlos Heitor Cony, um outro tradutor brilhante dos sentimentos das gentes.
Texto escrito em junho/2015.

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